Publicado no Jornal
A Gazeta - Coluna Tribuna Cristã nº 792 – 05.05.2024
Quem perde e quem ganha com
o petróleo do Amapá
O
desconhecimento gera sofrimento. Tem um versículo na Bíblia que diz assim: “O meu povo sofre porque lhe faltou o conhecimento...”
(Livro do Profeta Oseias 4.6). Podemos depreender desta frase sagrada que o
desconhecimento, a ignorância, o despreparo, a desinformação, o desinteresse em
se inteirar sobre determinado tema, o descuido e o não aproveitamento do tempo em buscar
saber sobre determinado assunto, gera prejuízos irrecuperáveis em todas as
áreas da vida.
Todos
no estado do Amapá sabem que foi descoberto petróleo em Oiapoque, na Margem
Equatorial, localizada no litoral brasileiro, apelidada de Amazônia Azul
(Amazônia Marítima), em quantidade tão grande que colocará o Brasil como o 4º
maior produtor de petróleo do planeta Terra. Inclusive, o mundo inteiro tem
interesse no petróleo amazônico brasileiro, pois o mesmo ajudará a humanidade a
fazer a transição energética de forma economicamente mais suave. Então,
independentemente de questões políticas, jurídicas etc., daqui a poucos anos, o
petróleo amapaense estará sendo produzido.
Entretanto,
algo está se apresentando meio estranho. Parece que as autoridades locais
(municipais, estaduais e federais) e o povo tucuju estão “dormindo em berço esplêndido” em termos de busca de informações e de capacitação para viverem este momento, pois a indústria do petróleo, por ser
riquíssima, trilionária, é altamente complexa e sofisticada, exigindo-se muitos
conhecimentos técnicos para a compreensão de seus contornos.

São
várias as implicações que rodeiam a dinâmica petrolífera. Sendo assim, já
deveríamos ter tomado diversas providências, a saber: 01. Ter urgentemente em
nossas instituições de ensino superior cursos como, p. ex., Engenharia de
Petróleo, Oceanografia; 02. Ter pós-graduações em temas ligados ao petróleo
como, p. ex., “petróleo, direito e sociedade”; 03. As câmaras de vereadores
terem comissões específicas sobre o petróleo, para, no futuro, estarem
capacitados a legislarem sobre tal assunto; 04. As prefeituras terem comissões
ou assessorias específicas sobre assuntos do petróleo; 05. Os magistrados,
membros do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da Defensoria Pública já
deveriam ter cursos, palestras, conferências neste tema; 06. A Ordem dos
Advogados – Seccional local ter uma Comissão Especial voltada para o petróleo;
07. A ACIA e a Fecomércio terem pré-planeamentos sobre a cadeia produtiva, de
insumos, de logística que envolverá a indústria do petróleo no Amapá etc.
Mas, até
agora, ao que parece, duas instituições estão mais atentas em relação a este
novo tempo que está chegando: A Unifap e a ALAP.
A
Universidade Federal do Amapá (Unifap), cujo reitor é o Prof. Dr. Júlio Sá, já possui um núcleo dentro de seu
doutorado em Direito voltado para o Direito do Petróleo e possui um grupo de
pesquisa dedicado ao estudo dos recursos naturais não renováveis e direito do
petróleo. Com estes dois instrumentos acadêmicos, a Universidade se prepara
para atuar de forma mais incisiva nesta área.
A
Assembleia Legislativa do Estado, presidida pela deputada estadual Alinny Serrão, criou a Frente Parlamentar do Petróleo, liderada pelo deputado Delegado Inácio, para se
aprofundar sobre este novo fenômeno econômico que se avizinha das terras
amapaenses.
A
indústria do petróleo vai mudar radicalmente a realidade do Estado do Amapá. Só
não sabemos se para melhor ou se para pior, pois a falta de conhecimento é
cruel, gera usurpações, frustrações, desapontamentos, desvios de condutas,
corrupções, improbidades etc. Mas, o conhecimento gera temor, fixação de
riqueza, prosperidade, maior qualidade de vida, progresso, desenvolvimento.
Um
exemplo local histórico e ruim que se deve ter em memória foi o caso do
manganês da Serra do Navio. A ignorância dos políticos e do povo naquela época possibilitou quase
meio século de exploração ignóbil, ao absurdo do cúmulo de a empresa
exploradora não ter sequer, p. ex., em quase cinquenta anos de extração de
manganês, asfaltado a rodovia que liga o município de Serra do Navio à cidade
de Porto Grande, caminho rodoviário à Capital do Estado. E mais, depois que
findou o contrato da empresa, Serra do Navio virou um “município fantasma”,
abandonado à miséria, com fortíssimo passivo social, incluindo, p. ex., alto
nível de prostituição infanto-juvenil, grande acervo de enfermidades etc. Terra
arrasada! Situação literal do versículo bíblico que abriu este texto.
Alguém
pode perguntar: Esta maldição pode acontecer com o petróleo do Oiapoque?
Resposta: Sim. É só não ligarmos para todos os assuntos que se referem ao nosso
petróleo. Irão levar todo o nosso óleo e deixar aqui somente os abrolhos.
DESTAQUES
DA SEMANA
1-
Doutorado em Direito/Unifap colocou no ar (YouTube) podcast sobre o Direito
do Petróleo no Amapá.
2-
O Amapá faz parte da Margem Equatorial, nova região litorânea petrolífera
brasileira.
3- O município de Oiapoque/AP poderá se
tornar a nova “Arábia Saudita” do petróleo mundial.
GESTÃO
O
Amapá já presidiu a Petrobras. Janary Gentil Nunes foi escritor, militar e político
brasileiro, filho de Joaquim Ascendino
Monteiro Nunes e de Laurinda Gentil Monteiro Nunes. Nasceu no Estado do Pará,
município de Alenquer, em 01.06.1912 e faleceu no Rio de Janeiro em 15.10.1984.
Carreira
política e diplomática. Por indicação do Presidente da República Getúlio
Vargas, Janary Nunes foi escolhido o 1º governador do então Território Federal
do Amapá, no período de 1944-1955. Logo em seguida, por indicação do Presidente
da República Juscelino Kubitschek, foi nomeado o 3º Presidente da história da Petrobras, no período de 03.02.1956 a 09.12.1958. Logo em seguida, ainda em 1958, foi nomeado embaixador do Brasil na Turquia.
Depois, elegeu-se duas vezes deputado federal pelo ex-Território do Amapá de
1963-1971.
Janary
do Amapá e o petróleo. Além de ter exercido o cargo máximo de presidente da Petrobras, por três anos, Janary Nunes escreveu três livros, dentre eles, a Obra intitulada “Defesa dos
programas da Petrobras”, publicada em 1956. Mas, talvez, Janary morreu sem
saber que existia petróleo no Amapá.
ESPECIAL
Utilidade
Pública. O Barco da Bíblia em Macapá.
Estará aportado em Macapá/AP no período de 09 a 27 de maio de 2024, na Orla do
Bairro Santa Inês, em frente à Capital amapaense.
A
Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), através do seu Diretório Estadual em Macapá,
trás junto com o Barco mais uma ferramenta para aperfeiçoamento do conhecimento
bíblico. Trata-se do Seminário 2024 de Ciências Bíblicas, que abordará os
seguintes temas: 1. A Longa Caminhada da Tradução da Bíblia - Rev. Paulo
Teixeira; 2. Você Entende o que lê? - Pr. Vinícius Lacerda; 3. Uma Sociedade da
Bíblia na Missão de Deus - Pr. Adriano Casanova; 4. A Bíblia tem lugar na
Família e na Sociedade? - Rev. Paulo Teixeira; 5. Como estimular a leitura da
bíblia na família e na sociedade? - Pr. Amado Flexa.
A
data prevista é o dia 18 de maio de 2024, sábado, das 8h30 às 17h30h. Local: Igreja Evangélica
Canal de Bênção, localizada na Av. Carlos Lins Cortes, nº 2.605, Bairro
Infraero 2. As inscrições pelo Sympla ou no local do Evento. Investimento R$
30,00 (trinta reais), com direito a Certificado de Participação. Imperdível!
REFLEXÃO
Tema: O dom
da Excelência – Gn 1.31 e Dn 6.3
A Bíblia diz que fomos feitos à
imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Então, se Deus é excelente em tudo o que
faz (Gn 1.31), devemos também buscar a excelência em todos os aspectos de nossa
vida (Dn 6.3).
Antes,
vale dizer que a excelência não é o melhor de todos; biblicamente, a excelência
é o nosso melhor (Mc 12.30).
Também
podemos perceber que o dom da excelência foi o primeiro a se manifestar na
Bíblia, pois em Gênesis, cap. 1º, por seis vezes, Deus viu que o que tinha feito
era bom (excelente) Vv. 4, 10, 12, 18, 21 e 25. Na sétima vez, disse Deus sobre
toda Sua Obra: “... eis que era muito bom” (excepcional).
Citemos
alguns exemplos bíblicos de personagens que manifestaram este dom da
excelência: i. Abraão – Gn 22.2.
Isaque era o melhor de Abraão; ii. A Viúva e sua Oferta – Mc 12.44. Duas
moedas. Tudo o que tinha; iii. Parábola dos talentos – Mt 25.18. Talento
enterrado; iv. Um exemplo negativo: Ananias e Safira – At 5.3. Excelência
mentirosa.
FICA A DICA
ABC do Petróleo – Letra K: Key
Personnel. Expressão inglesa que no
português significa “pessoal-chave” (gerentes, engenheiros, contadores,
práticos, advogados, TIs etc.), no sentido de especialistas, “experts” em
determinado assunto. A área do petróleo exige expertise específica.
“Pessoal-chave/Key personnel” é uma expressão técnica do mundo corporativo que designa o conjunto
daquelas pessoas essenciais para a realização do trabalho de um projeto, normalmente aqueles responsáveis pela
concepção, condução e relatório da pesquisa. O “pessoal-chave” inclui: PIs, Co-PIs (investidores) e uma terceira
categoria conhecida como “pessoas-chave” (Key persons).
A indústria do petróleo é altamente desenvolvida em
tecnologia e em especialidades. Tanto a exploração e produção onshore
(terrestre) como offshore (marítima) exigem a atuação de profissionais extremamente
qualificados. Quando as pessoas daquela região petrolífera não sabem do
assunto, são substituídas por especialistas trazidos de outros lugares.
OUTRAS NOTÍCIAS DA SEMANA
Esta semana parte do Estado do Rio Grande do Sul foi destruída por fortes eventos da natureza. Assim, toda a Nação brasileira está mobilizada em prol de ajudar o povo gaúcho neste momento trágico de agonias e perdas. Oremos pelo Rio Grande do Sul.
Prof. Chelala no Podcast do Doutorado em Direito da Unifap O Prof. Charles Chelala, um dos maiores especialistas conhecedores da economia do estado do Amapá, foi o entrevistado especial do Podcast Acadêmico do Curso de Doutorado em Direito da Unifap. O programa transmitido pelo You Tube é apresentado pelo professor e advogado Besaliel Rodrigues.
Na entrevista, o Prof. Chelala deu um show de aula. Confira pelo link abaixo.
https://youtu.be/v0F194OBNkc?si=kzqgpz_ddMHTz1Ay
O Prof. Besaliel Rodrigues esteve participando esta semana em Brasília do lançamento da Obra "Espiritualidade Digital" de autoria do pastor e advogado da OAB/DF Aaron Inácio, publicado pela Editora Os Semeadores. Na foto, em pé, o Prof. Besaliel (E), que é o presidente do Conselho Editorial da referida editora e o Dr. Daniel Deusdete (D), CEO da Os Semeadores, ladeando o autor do livro.
Os Cem Anos da Assembleia de Deus do Rio de Janeiro - 1924-2024 A Assembleia de Deus carioca, Ministério de São Cristóvam, a 1ª AD fundada no RJ em 1924, pelo pioneiro missionário sueco Gunnar Vingren, hoje presidida pelo Apóstolo Jessé Maurício, filho e sucessor do saudoso Pastor Túlio Barros, iniciou esta semana o período de Celebrações do Centenário da referida Igreja naquela Unidade Federativa brasileira. As comemorações deste primeiro século de história assembleiana carioca se estenderão até o final do mês de junho deste ano de 2024, quando uma grande caravana de pastores da Assembleia de Deus no Amapá estará representando nosso estado naquele momento marcante da historiografia assembleiana do Brasil.
Até a próxima oportunidade.